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William Zepeda entregou uma demonstração de volume e resistência no sábado à noite no Theater at Virgin Hotels, em Las Vegas. O mexicano sufocou Lamont Roach Jr. sob uma enxurrada de 884 golpes para conquistar o título vago WBC dos leves por decisão unânime. Os três juízes deram cartões inequívocos: 118-110, 117-111 e 117-111.
Uma máquina de lançar
Desde o primeiro confronto, Zepeda colocou seu 1,80 m no centro do ringue e impôs um ritmo impossível de acompanhar.
Desde o primeiro confronto, Zepeda colocou seu 1,80 m no centro do ringue e impôs um ritmo impossível de acompanhar. O contraste estatístico conta a história da luta melhor do que uma longa narrativa. Em doze rounds, o mexicano tentou 884 golpes contra 591 de Roach. Ele conectou 218, seu adversário 153. Esses números não documentam uma troca de igual para igual: eles descrevem um bombardeio.
Zepeda, no entanto, não é um atirador de elite. Sua cadência alucinante o condena a desperdiçar munição — nesse ritmo, nenhuma mecânica humana pode garantir precisão. Mas a lei dos grandes números falou. Quando você lança quase setenta e quatro golpes por round, o acúmulo acaba por triturar as defesas mais bem organizadas.
Roach, ex-campeão WBA dos super-penas, não veio como vítima designada. Seu jab estalou em sequências. Seus ganchos no fígado desaceleraram o mexicano no quarto e quinto rounds. Mas esses lampejos de boa boxe não mudavam nada no fluxo da torneira adversária. Cada vez que o americano conectava dois golpes limpos, Zepeda devolvia seis ou oito, sem nunca baixar os braços nem consultar o cronômetro.
O sétimo round, ponto de ruptura
A luta definitivamente virou no sétimo round. Zepeda prendeu Roach contra as cordas e o afogou sob combinações curtas, braços fechados, sem lhe dar um metro para girar. Um direto frontal cortou o arco esquerdo de Roach. O sangue escorreu durante os cinco rounds finais, atrapalhando a visão do americano e pesando em cada um de seus movimentos.
O cenário não se inverteu mais. Roach absorvia, recuava, sobrevivia. Suas pernas pesavam, suas sequências perdiam o fio. Zepeda, por sua vez, desenrolava a mesma partitura do primeiro minuto — a marca dos grandes motores. O décimo segundo round ofereceu uma última cartada de honra em que Roach, de costas para a parede da derrota, soltou os últimos cavalos em uma troca selvagem. Insuficiente para perturbar os juízes ou abalar o novo campeão.
Mais um desafiante nos leves
Ainda invicto após 34 lutas, Zepeda pendura o cinturão WBC em uma coleção que esperava por uma peça central. Seu porte, sua cadência e sua capacidade de manter a pressão por doze rounds apresentam uma equação que ninguém resolveu ainda. Nem Shakur Stevenson, o mestre defensivo da categoria, nem Gervonta Davis, o nocauteador mais temido, cruzaram com um volume dessa magnitude.
Para Roach, a decepção é proporcional à ambição do desafio que ele se propôs. Subir de categoria para um título mundial exigia uma atuação perfeita, e o degrau dos leves se mostrou mais íngreme do que o esperado. O americano de trinta anos mostrou coração, técnica limpa e mandíbula sólida — nenhum knockdown veio pontuar a noite. Mas enfrentar a elite dos leves com as armas de um super-pena parece um beco sem saída tático.
Zepeda já deu o recado na coletiva de imprensa: ele quer Stevenson, campeão WBO. Um duelo entre o volume ilimitado do mexicano e a esquiva hermética do americano teria ares de experimento científico em um ringue. E lotaria qualquer arena do planeta boxe.