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Grégory Lorenzi não mentiu. Em sua primeira declaração como diretor esportivo do Olympique de Marselha, o novo responsável pelo recrutamento do clube definiu os termos do debate com uma franqueza quase brutal: “Se o OM não perder, o OM não contrata.”
Uma transparência que acalma as expectativas
Apresentado oficialmente nesta quarta-feira ao lado de Bruno Genesio, o novo técnico do Marselha, Lorenzi não tentou criar ilusões.
Apresentado oficialmente nesta quarta-feira ao lado de Bruno Genesio, o novo técnico do Marselha, Lorenzi não tentou criar ilusões. O ex-dirigente do Nantes e do Torino descreveu “uma situação econômica preocupante” e insistiu na necessidade de recuperar “um melhor equilíbrio”. Ou seja: o OM está sob dupla supervisão, a da DNCG e a da UEFA, e cada euro gasto deverá ser justificado.
O diagnóstico é severo, mas não surpreendente para os torcedores do clube. As sanções europeias decorrentes do descumprimento do fair play financeiro limitam a margem de manobra, e a folha de pagamento continua alta demais em relação às receitas geradas. Nesse contexto, Lorenzi adverte: não é mais hora de grandes jogadas no mercado, mas sim de uma gestão “milimétrica”.
A aposta nos empréstimos com opção de compra
Privado da liberdade financeira de seus concorrentes diretos — o PSG, o Mônaco ou o Lyon não enfrentam as mesmas restrições —, o Marselha precisa inovar. A estratégia preferida por Lorenzi consiste em multiplicar os empréstimos com opção de compra. Uma fórmula que permite integrar reforços imediatos, ao mesmo tempo em que adia o investimento para o exercício seguinte, quando as finanças do Olympique terão — em teoria — recuperado um pouco de folga.
Esse método não tem nada de improvisado. Ele se insere em uma lógica já utilizada nas últimas temporadas, com resultados variáveis. O objetivo é duplo: proporcionar a Bruno Genesio um elenco capaz de competir na Ligue 1 e no cenário europeu, sem sobrecarregar imediatamente as contas já sob pressão. Cada caso deverá atender tanto a critérios esportivos quanto a imperativos contábeis.
Construir para durar, não para uma janela de transferências
Além das restrições imediatas, Lorenzi demonstrou uma ambição mais estrutural: construir “um elenco que não seja montado em um ou dois meses, mas com base em valores de médio a longo prazo”. Uma declaração que rompe com a instabilidade crônica do clube nos últimos anos, em que os elencos eram frequentemente reformulados de uma temporada para outra.
O diretor esportivo também fez questão de tranquilizar quanto às ambições esportivas: apesar das dificuldades, sua intenção é “manter o OM na briga pelas vagas europeias”. Um equilíbrio delicado que também depende do trabalho de Medhi Benatia, responsável pelas vendas, e de Federico Balzaretti, cuja rede de contatos na Itália poderia abrir oportunidades inteligentes.
Uma janela de transferências relâmpago que pode dar errado
O recurso a empréstimos com opção de compra é coerente, mas arriscado. Se os novos contratados corresponderem às expectativas, o Marselha poderá exercer as opções de compra assim que as sanções europeias forem cumpridas. Por outro lado, uma contratação fracassada — ou uma temporada sem classificação para competições europeias — transformaria essa estratégia em uma armadilha: os jogadores emprestados voltariam para seus clubes, deixando um elenco a ser reconstruído com recursos ainda mais escassos.
O verdadeiro teste para Lorenzi será sua capacidade de convencer jogadores de qualidade a se juntarem ao projeto do Marselha sem garantias financeiras imediatas. O OM continua sendo uma marca que faz sonhar, e o Vélodrome, um argumento de peso. Mas em um futebol em que os agentes analisam, antes de tudo, as garantias financeiras, o novo diretor esportivo terá que demonstrar um talento de negociador que ainda não conhecemos nele.