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A Belgrade Arena rugiu como raramente num sábado à noite. Em sua estreia no octógono do UFC, Nina Nikolija Milosevic não apenas venceu: ela virou a arena sérvia em menos de um round, parando a americana Hailey Cowan por TKO com uma rajada de golpes no corpo.
A sequência durou pouco mais de dois minutos. Milosevic, 27 anos, travou a distância desde os primeiros segundos, acertando dois diretos no fígado que dobraram Cowan. O primeiro golpe cortou o fôlego da americana. O segundo a derrubou de vez. O árbitro não esperou que ela tocasse o chão uma segunda vez.
Milosevic, 27 anos, travou a distância desde os primeiros segundos, acertando dois diretos no fígado que dobraram Cowan.
Um caminho invicto até o grande palco
Convidada pelo UFC para compor o Fight Night de Belgrado, a nativa de Novi Sad carregava uma reputação de finalizadora no circuito europeu. Oito vitórias seguidas desde sua única derrota em 2023, seis delas antes do limite. Números que exigiam um teste de fogo, e que o matchmaking do UFC colocou na situação ideal: uma luta em casa, contra uma Cowan em busca de redenção após um 2025 complicado.
Diante dela, Cowan esperava relançar uma carreira que patina. A americana de 33 anos vinha de duas derrotas consecutivas e não lutava desde dezembro de 2025, uma eternidade em uma divisão onde o ritmo dos eventos não perdoa ausências prolongadas. A missão sérvia prometia ser delicada. Mostrou-se impossível.
Já na entrada na jaula, o público deixou claro para quem ia sua paixão. Milosevic andou direto para cima de Cowan, cortou os ângulos e trabalhou com ganchos curtos, sem nunca deixar a americana encaixar seu jab. O primeiro golpe no fígado desacelerou Cowan. O segundo a derrubou.
Uma divisão feminina em busca de sangue novo
A categoria dos pesos galos femininos atravessa uma fase de transição desde a saída de várias estrelas. O UFC busca ativamente novos rostos capazes de carregar um evento europeu, e Milosevic preenche vários requisitos: estilo agressivo, finalizações limpas, personalidade cativante e, agora, um público que conhece seu nome.
Sua performance no sábado lembra a de uma Joanna Jedrzejczyk em seus primórdios, guardadas as devidas proporções: uma lutadora que impõe seu ritmo sem round de observação e força a adversária a sobreviver em vez de boxear. Se a comparação é ambiciosa, o capítulo sérvio começa com uma página que a divisão peso galo terá dificuldade em ignorar.
O bônus de performance da noite não deixa muitas dúvidas. Finalizações por golpes no corpo continuam raras na categoria, e a de Milosevic, de precisão cirúrgica, deve povoar os vídeos de destaque das próximas coletivas de imprensa. O UFC tem uma estrela local para seus futuros eventos na região.
Belgrado, novo cruzamento europeu
A escolha de Belgrado para este Fight Night não foi por acaso. Após Paris e Londres, o UFC reforça sua presença nos Bálcãs, região que fornece um contingente crescente de lutadores. O UFC 330, marcado para Filadélfia em duas semanas, mobiliza a atenção, mas a noite sérvia entregou o que se espera de um card Fight Night: revelações.
Milosevic sai com um bônus de performance quase certo e um calendário que pode acelerar. Uma coisa é certa: ninguém na arena esquecerá o som das luvas sérvias no fígado de Cowan, nem o que esse barulho anuncia para o futuro.