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Khabib Nurmagomedov critica o UFC: “Eles estão deixando os lutadores de lado”

Khabib Nurmagomedov nunca mediu palavras, e a aposentadoria não mudou nada nisso. O ex-campeão dos pesos leves do UFC, invicto em 29 lutas profissionais, fez uma crítica…

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Khabib Nurmagomedov nunca mediu palavras, e a aposentadoria não mudou nada nisso. O ex-campeão dos pesos leves do UFC, invicto em 29 lutas profissionais, fez uma crítica severa à política de contratação da organização que construiu sua lenda. Segundo ele, o UFC agora prioriza os lutadores de trocação em detrimento dos lutadores de chave, mesmo que isso signifique deixar escapar talentos e enfraquecer a modalidade que construiu seu próprio domínio.

“Eles não contratam muitos lutadores”

Em declarações divulgadas pela mídia francesa La Sueur em 17 de julho, posteriormente reproduzidas pelo MMA Live, o daguestanês foi direto: “Eles não contratam muitos lutadores.

Em declarações divulgadas pela mídia francesa La Sueur em 17 de julho, posteriormente reproduzidas pelo MMA Live, o daguestanês foi direto: “Eles não contratam muitos lutadores. Em contrapartida, eles recrutam lutadores de trocação. Se dessem uma chance a Muhammad Mokaev, por exemplo, ele se tornaria campeão. Eles estão deixando os lutadores de lado.”

A menção a Muhammad Mokaev não é por acaso. O britânico de origem daguestanesa, lutador com um estilo fortemente voltado para o grappling, foi dispensado pelo UFC apesar de uma vitória convincente contra Manel Kape. Uma dispensa que já havia causado mal-estar no meio e que Khabib apresenta hoje como prova de uma mudança assumida de filosofia.

A guerra dos estilos

Essa declaração à mídia se insere em um debate recorrente sobre a evolução do MMA como espetáculo. O UFC, sob a liderança de Dana White, tem apostado progressivamente em lutadores com um estilo mais espetacular em pé, mais atraentes para o grande público e para as emissoras. O grappling, por mais eficaz que seja, sofre com um déficit de imagem que o tempo de atenção disponível no pay-per-view não perdoa mais.

Khabib, por sua vez, encarna o arquétipo do lutador dominante que, no entanto, lotou as arenas: sua rivalidade com Conor McGregor continua sendo a luta mais vendida da história da organização, prova de que a promessa de um jogo de chão implacável também pode se tornar um argumento de apelo popular.

Um contrato vitalício que congela tudo

Essa polêmica esconde outra. Poucos dias antes, Khabib revelou ao Yahoo Sports que seu contrato com o UFC o vinculava vitaliciamente à organização, impedindo-o de lutar em outros lugares mesmo décadas após sua aposentadoria oficial. Uma situação contratual rara no esporte profissional, que vários colegas americanos compararam a uma cláusula de exclusividade que impede qualquer aparição promocional no MMA competitivo.

Por trás disso, o ex-campeão apresenta, portanto, uma crítica em duas vertentes: a de uma organização que não investe mais o suficiente na descoberta de lutadores e a de um vínculo contratual que impede os aposentados de atuarem em outros lugares. O debate, já acalorado do outro lado do Atlântico, certamente reacenderá a questão do poder de negociação dos lutadores na era pós-Boec.

Um sinal ouvido até no Daguestão

O fato é que a palavra de Khabib, mesmo aposentado, ainda tem peso no ecossistema. No Daguestão, onde a tradição do grappling continua sendo um marco identitário, vários jovens lutadores acompanharão de perto o desdobramento dessa declaração. O UFC, por sua vez, ainda não respondeu publicamente às críticas, mas a pressão da mídia pode forçar a organização a esclarecer sua política de contratação nos próximos meses. Caso contrário, outras vozes, mais radicais, tomariam o lugar e imporiam um debate de fundo sobre o papel dos lutadores no MMA contemporâneo, um esporte no qual Khabib deixou sua marca mais do que qualquer outra pessoa.

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