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Kamaru Usman não tem mais nada a perder. Aos 39 anos, o “Nigerian Nightmare” se prepara para disputar a luta mais arriscada de sua carreira: subir para a categoria dos médios (-84 kg) para desafiar Dricus Du Plessis na luta principal do UFC Oklahoma, na madrugada de sábado para domingo, no Paycom Center, em Oklahoma City. Uma vitória o colocaria às portas de um segundo cinturão do UFC. Uma derrota, e provavelmente será o fim do sonho.
O lutador natural de Auchi, na Nigéria, conheceu os picos mais vertiginosos antes de chegar ao fundo do poço. Quinze vitórias consecutivas entre 2015 e 2021, um cinturão dos meio-médios conquistado e defendido cinco vezes, um domínio que parecia eterno. E então, em 20 de agosto de 2022, aquele chute alto de Leon Edwards que o nocauteou a poucos segundos do fim de uma luta que ele dominava. Um dos nocautes mais memoráveis da história do esporte. Outras duas derrotas se seguiriam. Usman desapareceu dos holofotes por mais de um ano e meio.
O lutador natural de Auchi, na Nigéria, conheceu os picos mais vertiginosos antes de chegar ao fundo do poço.
Seu retorno, em 14 de junho de 2025, contra Joaquin Buckley, tranquilizou a todos: o “Nigerian Nightmare” ainda sabe dar trabalho aos melhores. Mas, aos 39 anos, o tempo está se esgotando. Subir de categoria para enfrentar um ex-campeão dos médios de 32 anos, mais pesado e mais poderoso, é uma aposta que beira a imprudência. Ou a genialidade.
Du Plessis, o orgulho do “Stillknocks”
Do outro lado do octógono, Dricus Du Plessis vive uma situação igualmente desconfortável. Antes de 16 de agosto de 2025, o sul-africano estava invicto no UFC: nove lutas, nove vitórias, sendo três por título. Uma força bruta que encontrava a chave para todas as fechaduras. Até Khamzat Chimaev.
O checheno o neutralizou, dominou e sufocou durante cinco rounds. Primeira derrota no UFC. Primeiro verdadeiro golpe duro. Du Plessis (23-3) precisa agora provar que sabe se reerguer. E o que melhor para isso do que enfrentar um adversário cuja kryptonita é justamente o ponto forte de Chimaev: a luta livre de alto nível?
Pois Usman é um ex-campeão da segunda divisão nacional de luta livre universitária americana. Um “wrestler” de elite capaz de neutralizar a força bruta do sul-africano. Na pesagem de sexta-feira, Du Plessis registrou 185,5 libras (84,1 kg), Usman, 186 libras (84,4 kg). Os dois estão prontos. O confronto, aliás, gerou certa apreensão: a diferença de porte físico entre o ex-peso meio-médio e o peso médio natural é evidente.
A posição de Imavov está ameaçada
Essa luta vai além de um simples duelo entre dois ex-campeões. Na disputa pelo título dos médios, detido por Khamzat Chimaev, o francês Nassourdine Imavov ocupa atualmente a posição de principal candidato. Mas o vencedor da luta entre Usman e Du Plessis virá para abalar essa hierarquia. O UFC adora histórias de redenção, e a do vencedor deste sábado à noite terá tudo para conquistar Dana White.
Já Usman tem objetivos mais ambiciosos: entrar para o clube dos “champ-champ”, aqueles onze lutadores que conquistaram o cinturão em duas categorias diferentes na história da organização. “Na minha cabeça, sinto que já faço parte do top 5 dos melhores lutadores da história, mas o clube dos bicampeões é aquele do qual ainda não faço parte”, confessou ele. O nigeriano sabe que, aos 39 anos, só resta uma chance.
Para Du Plessis, o desafio é diferente, mas igualmente decisivo. Uma segunda derrota consecutiva o afastaria definitivamente do título. Aos 32 anos, o sul-africano está no auge da carreira: é agora que ele precisa provar que Chimaev foi apenas um tropeço no caminho.
Em Oklahoma City, na madrugada de sábado para domingo, um dos dois escreverá um novo capítulo. O outro talvez tenha que virar a página. A luta promete ser uma das mais intrigantes deste verão de 2026.