Hóquei

A faixa de bolinhas sai do ar: Kelly Hrudey e Sportsnet, é o fim após trinta anos

As noites de hóquei canadenses nunca mais serão as mesmas. Kelly Hrudey, rosto familiar do Hockey Night in Canada desde 1998, anunciou na quarta-feira que a Sportsnet…

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As noites de hóquei canadenses nunca mais serão as mesmas. Kelly Hrudey, rosto familiar do Hockey Night in Canada desde 1998, anunciou na quarta-feira que a Sportsnet não renovaria seu contrato para a temporada 2026-2027. Em um vídeo publicado em suas redes sociais, o ex-goleiro disse sem rodeios: "Não é uma aposentadoria."

A notícia abalou o microcosmo do hóquei canadense, onde Hrudey ocupava um lugar especial. Não apenas por sua famosa faixa de bolinhas que lhe dava ares de guitarrista de rock entre análises, mas por uma voz que sabia falar de hóquei com a mesma facilidade com que abordava a saúde mental, tema pelo qual o ex-goleiro se engajou por anos. Uma sinceridade desarmante em um meio onde a imagem polida domina, e que lhe rendeu respeito muito além das pistas de gelo.

A notícia abalou o microcosmo do hóquei canadense, onde Hrudey ocupava um lugar especial.

Quinze temporadas no gol, trinta no microfone

Antes de comentar os jogos, Hrudey os jogava. Quinze temporadas na Liga Nacional, uma máscara reconhecível entre milhares e 271 vitórias no gol dos Islanders, Kings e Sharks. Seu momento de glória ficará naquela primavera de 1993: os playoffs em que Los Angeles, impulsionado por um Wayne Gretzky em missão, chegou à final da Stanley Cup. Hrudey encadeou defesas e gravou seu nome na lenda local. Ele permanece até hoje um dos poucos goleiros a ter disputado mais de 90 jogos em uma temporada, feitos dos playoffs obrigam.

Sua aposentadoria como jogador, em 1998, não marcou uma saída de cena, mas uma mudança de figurino. O Hockey Night in Canada o acolheu em tempo integral. A análise ganhou em fineza o que o gelo perdeu em espetáculo. Em 2007, o prêmio Gémeaux de melhor analista de estúdio coroou esse novo capítulo. Vinte anos de microfone, centenas de programas e aquele estilo inimitável que mistura pedagogia e autodepreciação. Poucos consultores podem se gabar de ter feito milhões de telespectadores amarem as sutilezas da posição de goleiro.

O fim de um trio

Hrudey formava com Ron MacLean e Elliotte Friedman um dos trios mais estáveis do cenário audiovisual esportivo norte-americano. Sua saída fragiliza um equilíbrio pacientemente construído. A Sportsnet, que detém os direitos de transmissão nacionais da NHL no Canadá, ainda não se manifestou sobre a identidade de seu substituto.

A rede passou por várias ondas de reestruturação nas últimas temporadas, e a não renovação do contrato de Hrudey provavelmente se insere em uma lógica econômica mais ampla. Mas para o público, é primeiro uma voz que se apaga. Aquela que se ouvia da sala, em uma noite de novembro, dissecando uma sequência de penalidade numérica com a minúcia de um relojoeiro. Aquela que, entre períodos, dedicava tempo para explicar por que um goleiro escolhia desafiar o atacante em vez de ficar no fundo. Uma pedagogia rara, que fará falta tanto aos novatos quanto aos puristas.

O que vem depois

Aos 65 anos, Hrudey não guarda nem o microfone nem a faixa. "Não é uma aposentadoria", insistiu. Várias mídias digitais e plataformas de podcast de hóquei podem lhe oferecer um novo refúgio. Resta saber se o público canadense, acostumado a encontrá-lo no serviço público, seguirá o movimento para outros canais.

O que é certo é que um Hockey Night in Canada sem Kelly Hrudey é um pouco como uma rede vazia: sabemos que o hóquei continua, mas falta algo. E se a faixa de bolinhas reaparecer neste outono em um canal concorrente ou em um podcast independente, é bem provável que centenas de milhares de canadenses o sigam.

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