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O short é o mesmo, a caminhada também. Na manhã de quarta-feira, sob o sol da Flórida, Lionel Messi passou pelos portões do centro de treinamento do Inter Miami como fez centenas de vezes. Só que desta vez, dez dias o separam de uma prorrogação fatídica no MetLife Stadium, em Nova York, onde a Argentina perdeu por 1 a 0 para a Espanha na final da Copa do Mundo de 2026.
Um vídeo publicado pelo clube em suas redes sociais mostra o oito vezes vencedor da Bola de Ouro chegando ao lado de Luis Suarez, bolsa de esportes no ombro, rosto concentrado. Sem grandes declarações. Apenas um homem que volta a calçar as luvas — e que parece ansioso para virar a página.
Um vídeo publicado pelo clube em suas redes sociais mostra o oito vezes vencedor da Bola de Ouro chegando ao lado de Luis Suarez, bolsa de esportes no ombro, rosto concentrado.
Um Mundial cruel até o fim
A final de 20 de julho ficará como uma das mais duras da história recente. Um gol espanhol na prorrogação, um chute de Pedri desviado que deixa Emiliano Martínez sem reação, e depois o apito que congela a Albiceleste. Messi, capitão, falou já no dia seguinte. "A dor é muito intensa", disse ele em uma mensagem publicada no Instagram. A Espanha de Lamine Yamal e Gavi foi mais incisiva, mais fresca, mais clínica nos momentos decisivos.
Muitos esperavam que o argentino de 39 anos tirasse várias semanas de descanso. Ele tirou apenas nove dias. O Inter Miami, atualmente no meio da temporada regular da MLS, precisava do seu maestro. Ele precisava reencontrar a bola. Quem o conhece dirá: Messi não suporta a inatividade. Quando perde, ele joga de novo. O mais rápido possível. É uma mecânica íntima, quase animal, que sempre o traz de volta ao gramado.
Um retorno relâmpago que diz muito
O timing questiona e impõe respeito. Dez dias após uma derrota na prorrogação da Copa do Mundo — a competição que Messi conquistou em 2022 antes de perdê-la na final quatro anos depois — a maioria dos jogadores argentinos ainda está de férias. Messi, por sua vez, escolheu o oposto. As imagens divulgadas pelo clube mostram uma sessão leve, focada principalmente na retomada do ritmo e nos primeiros exercícios com bola.
O técnico do Miami, Gerardo Martino, deve poupá-lo no próximo jogo do campeonato. Mas o simples fato de vê-lo no centro de treinamento envia um sinal a todo o elenco: o capitão não pretende remoer. Esse retorno relâmpago, sem comunicado nem encenação, parece Messi na essência: calado, determinado, alérgico a discursos desnecessários.
O futuro em rosa e preto
Miami está no topo da classificação da Conferência Leste e busca uma vaga direta nos playoffs. Com Messi, Suarez e Sergio Busquets, o clube da Flórida tem uma espinha dorsal única na MLS, forjada nos maiores estádios europeus e sul-americanos.
Esse retorno apressado não apagará a cicatriz de 20 de julho. Mas lembra por que, aos 39 anos, Lionel Messi ainda está aqui. Não pelos recordes — ele tem todos. Não pelo dinheiro — ele poderia estar em outro lugar. Apenas porque sente falta do campo, e uma bola continua sendo o melhor remédio para uma derrota que dói.