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O Egito e Ruanda avançaram para a final das eliminatórias da Zona 5 do FIBA U18 AfroBasket 2026, disputadas no Cairo. A final de 29 de julho consagrou o país anfitrião e os jovens ruandeses, ambos já garantidos na fase final em Abidjan, na Costa do Marfim.
Ruanda no sufoco, Egito como mandante
Na semifinal, os jovens de Kigali precisaram de duas prorrogações para superar Uganda (76-65).
A trajetória ruandesa parece um romance. Na semifinal, os jovens de Kigali precisaram de duas prorrogações para superar Uganda (76-65). Um jogo emocionante de quase três horas, do qual saíram exaustos, mas fortalecidos. O treinador ruandês elogiou a resiliência mental de seu grupo, capaz de enfrentar uma equipe ugandesa fisicamente mais imponente.
O cenário do jogo mudou na segunda prorrogação, quando Ruanda encadeou uma sequência decisiva de 12-0, liderada por seu armador e seu ala-pivô, ambos autores de sua melhor atuação no torneio. A defesa em zona proposta por Kigali sufocou completamente o ataque ugandês, limitado a apenas quatro pontos nos últimos dez minutos do tempo regulamentar.
O Egito, por sua vez, dominou sua semifinal. Vencedores por 80-39 de Uganda na fase de grupos, os egípcios confirmaram seu status de favoritos ao eliminar o Sudão do Sul sem sustos. Sua defesa agressiva e rápidas rotações em transição não deram chances aos adversários. O sistema egípcio, construído em torno de uma pressão em todo o campo e um jogo de transição ultra-rápido, produziu 24 pontos em erros do adversário na semifinal.
Os dois finalistas apresentam perfis radicalmente opostos. Uma seleção egípcia física, acostumada a grandes eventos continentais e impulsionada por uma geração formada nas academias do Cairo, contra uma equipe ruandesa que construiu sua classificação com base em intensidade e coletivo. Ruanda contava com oito jogadores atuando no campeonato nacional, um fato raro nesse nível de competição, que destaca a profundidade do celeiro local.
Ruanda em ascensão
Para Ruanda, essa classificação representa um marco importante. O país já havia impressionado ao conquistar o bronze nos campeonatos africanos U18 anteriores. A federação ruandesa, que investiu pesado na formação nos últimos cinco anos, agora colhe os frutos de seu trabalho de base.
Esse investimento se traduziu na construção de três centros regionais, na contratação de treinadores estrangeiros e na implementação de um campeonato nacional U16-U18 estruturado. Os resultados começam a aparecer: Ruanda agora é uma nação que conta no basquete africano de base, capaz de rivalizar com os pesos pesados históricos como Egito, Senegal ou Nigéria. A federação também firmou parcerias com academias americanas e europeias, permitindo que seus melhores atletas se aprimorem fora do continente antes de retornarem para reforçar a seleção.
A disputa pelo terceiro lugar colocou frente a frente Uganda e Sudão do Sul, também classificados para a fase final na Costa do Marfim. As quatro equipes da Zona 5 representarão a África Oriental em Abidjan, onde enfrentarão as melhores nações do continente.
A fase final do FIBA U18 AfroBasket 2026 será realizada ainda este ano na Costa do Marfim. Para os jovens egípcios, o objetivo é claro: reconquistar um título continental que lhes escapa desde 2020. Os ruandeses, por sua vez, sonham com uma primeira medalha que coroaria uma progressão metódica e espetacular.